
Enviado em 14 de janeiro de 2012, às 11h25min
Vinho é vida, crônica
Gostar de vinho é como gostar de poesia. Exige sensibilidade acima de tudo, exige um coração aberto para a emoção que é descobrir um sabor que se revela na boca, para a alegria de quem sorve; é fruto de trabalho que exige muita comunhão, tradição e encantamento. Quando se está à mesa e o vinho escorrega da garrafa para a taça, sempre se está bem acompanhado em confraternização, porque o vinho é emprego da fraternidade, bebe-se junto; também é sinônimo de fartura, de vida, porque acompanha-se do alimento e traz toda a paixão da terra e do tempo onde se fixou a videira, e traz a força do homem que colheu a uva e dela fez vinho e reservou ao tempo, porque a espera do seu tempo de dizer, estou pronto; e, pronto, acabou-se, até que chegue o tempo da próxima safra; é a espera da vida, das coisas acontecerem; o vinho ensina tudo isto.
Ensina generosidade, ensina a compartilhar, ensina a entender em que solo se pisa, porque tudo que há sobre a terra é levantado do chão e ao chão tornará; é fruto da comunhão dos homens que juntos na lida da vinícola plantam, colhem e processam a uva, e reservam o vinho; vinho é tradição e nos resgata valores perdidos como a dedicação, a paciência, a emoção, a surpresa ao descobrir um sabor inigualável; cada garrafa ensina parcimônia, ensina moderação; o vinho preza pelo conhecimento, exige que dele entendamos para melhor sorvê-lo, ao mesmo tempo que é tão simples, respeita o gosto, o paladar, e se faz presente nos momentos devidos, porque é prenúncio de desejar saúde ao próximo, "a votre santé"; e de nada disto vale o vinho se junto a ele aquele que tem o privilégio de sorvê-lo não abra o seu espírito e não traga no coração a sensibilidade de um poeta para o encantamento da poesia da vida; que não traga o apreço pela comunhão; portanto, nada mais que certo seria o verso de Pessoa, pois sem vinho a vida é nada - e diz-nos o bardo: "daí-me vinho, que a vida é nada".
Ensina generosidade, ensina a compartilhar, ensina a entender em que solo se pisa, porque tudo que há sobre a terra é levantado do chão e ao chão tornará; é fruto da comunhão dos homens que juntos na lida da vinícola plantam, colhem e processam a uva, e reservam o vinho; vinho é tradição e nos resgata valores perdidos como a dedicação, a paciência, a emoção, a surpresa ao descobrir um sabor inigualável; cada garrafa ensina parcimônia, ensina moderação; o vinho preza pelo conhecimento, exige que dele entendamos para melhor sorvê-lo, ao mesmo tempo que é tão simples, respeita o gosto, o paladar, e se faz presente nos momentos devidos, porque é prenúncio de desejar saúde ao próximo, "a votre santé"; e de nada disto vale o vinho se junto a ele aquele que tem o privilégio de sorvê-lo não abra o seu espírito e não traga no coração a sensibilidade de um poeta para o encantamento da poesia da vida; que não traga o apreço pela comunhão; portanto, nada mais que certo seria o verso de Pessoa, pois sem vinho a vida é nada - e diz-nos o bardo: "daí-me vinho, que a vida é nada".
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